Miniempresários, grandes negócios

Jovens aprendem a produzir e a comercializar produtos em programa desenvolvido pela Prefeitura

Assis Cavalcante/Agência BOM DIA
Mateus, Márcio, Marcos e Maicon, com idades entre 15 e 16 anos, já aprenderam todas as etapas de uma fábrica, da linha de produção até a venda: foram três meses de curso
Mateus, Márcio, Marcos e Maicon, com idades entre 15 e 16 anos, já aprenderam todas as etapas de uma fábrica, da linha de produção até a venda: foram três meses de curso

Rodrigo Alcântara
Agência BOM DIA

Em menos de 30 minutos, Mateus de Oliveira Lima, Maicon Machado, Marcos de Almeida e Maurício Caserta, todos com idades entre 15 e 16 anos, venderam mais de 90 cabides que eles próprios fabricaram, ao custo de R$ 10 o pacote com três unidades.

A venda, quase que relâmpago, vale mais que um diploma de conclusão de curso. No caso deles, foi o fim do programa Miniempresa, promovido pela Prefeitura de Sorocaba, em parceria com a General Motors e a ONG Júnior Achievement.

Durante três meses, 25 alunos da Escola Municipal Flávio de Souza Nogueira tiveram a oportunidade de conhecer todos os passos de um projeto empreendedor. Desde a construção da fábrica, chamada de Cabimax, até a banca de venda.

Desse total, no entanto, apenas 15 chegaram até a última etapa. Segundo os miniempresários, eram colegas que, além de não terem o tino empreendedor, não conseguiam agregar valores ao restante do grupo.

E se engana quem pensa que os monitores ou coordenadores dos jovens foi quem ditou as regras dentro da empresa. Aos 15 anos, Mateus de Oliveira, por exemplo, foi nomeado como chefe de RH (Recursos Humanos) da fábrica de cabides. “É uma responsabilidade grande ter seu próprio negócio, por isso as funções e responsabilidades devem ser dividas de forma homogênea, sem sobrecarregar o companheiro”, diz.

O grupo de miniempresários garante que a experiência serviu não só para aprender a prática do serviço como também para entender como funciona um sistema que, pelo pensador norte-americano Napoleon Hill, seria chamado de “Master Mind”. Ou seja, quando um grupo está determinado a fazer uma ação conjunta, como se fosse uma corrente, todos os elos devem estar fechados. Se um deles se soltar, todo o sistema é quebrado e o projeto fracassa. “Ficamos contentes porque os alunos que continuaram no processo da fábrica realmente estavam comprometidos e não desistiram desse ideal até o final do programa”, dizem os jovens.

Enquanto uns deixam o projeto pela metade, outros se engajam e já fazem projeções para o futuro. O diretor de marketing da minifábrica, Maicon Vinícius Machado, agora já sabe que profissão seguirá depois de deixar o ensino médio. “Eu soube aproveitar o programa para estreitar o laço com a área da minha preferência. Hoje, fazendo um balanço do que aprendi, tenho certeza de que me darei muito bem trabalhando com marketing.”
Iniciativa aprovada
Ao lado da banca de cabides, o bancário Carlos Aparecido de Lima tirou o dia de folga para ajudar o filho Mateus em sua estreia oficial como empreendedor.

Segundo ele, desde que soube que o garoto estava no programa da prefeitura, não deixou de apoiá-lo por um instante. “Sabemos que a atividade, além de despertar o lado empreendedor dos jovens, também tem uma função social importante, tanto pela integração dos componentes, quanto pelo objetivo em comum que precisam atingir”, diz.

Carlos acrescentou: “Ofereci minha ajuda como um suporte extra, mas vi que ele está mais que preparado”.
Iniciativa garante clientes
Pergunte a um dos quatro miniempresários se eles estão descontentes com  a venda. Pelo contrário. Da comercialização que partiu de dentro da família, os alunos da Miniempresa já conquistaram novos clientes.

O maior exemplo ocorreu na quarta-feira, no Paço Municipal, quando os alunos venderam toda a produção em apenas meia hora.

Uma das compradoras é a funcionária pública Margarida Moraes, que apoia a iniciativa tanto pela orientação profissional dada aos jovens, quanto pela iniciativa social. “Além de todos os benefícios que o programa possa trazer como consequência, um dos principais é tirar os jovens da rua. Hoje, ao invés de passar a tarde toda sem atividade para se ocupar, ele fica exposto às más influências. O programa vem para ajudar a acabar com esse problema.”

A funcionária pública ainda ressaltou que deveriam existir outros projetos semelhantes  para despertar ainda mais o tino empreendedor e administrador dos jovens. “É uma forma de encaminhá-los para o mercado de trabalho, principalmente aos cargos técnicos, que estão em expansão em Sorocaba”, explica.
Lucro e ajuda
Além de aprender princípios básicos dos negócios, os jovens também têm direito, ao fim do curso, em receber metade do lucro obtido com a produção e comercialização dos cabides.

Os outros 50% serão destinados a uma instituição de caridade. “A produção já chegou ao patamar dos dois mil cabides e acredito que até o fim do curso ainda serão vendidos muito mais. Estamos otimistas com os resultados”, diz Orlando Jamais, coordenador do projeto.
Programa já atende alunos há três anos
O programa Miniempresa, desenvolvido pela Prefeitura de Sorocaba e parceiros, existe desde 2008. A última fábrica, de cabides, foi inaugurada no ano passado, no Centro Distribuidor de Peças da General Motors.

Com o Miniempresa, os estudantes têm experiência prática em economia e negócios, através da organização e operação de uma empresa real, além de conceitos de livre iniciativa, mercado, comercialização e produção. Vão apurar os resultados da empresa e remunerar com valor simbólico todos os envolvidos no processo: funcionários, acionistas e aluguel.

Durante o curso, conhecem todas as etapas e processos de criação e produção. Eles fazem o estudo de viabilidade e pesquisa de mercado, trabalham conceito de empresa e suas origens, além de aprender a importância da economia de mercado.

Os estudantes aprendem ainda como captar recursos, a capitalização da Miniempresa por meio da venda de ações, determinação de custos operacionais, ponto de equilíbrio e preço de venda.

Já no processo produtivo, a integração das áreas, objetivando consenso nas tomadas de decisões, avaliação dos resultados, a fabricar um produto, conscientes das normas de segurança, controle de metas de produção e qualidade.

Participam de rodadas de palestras e de uma “Feira de Miniempresas” – organizada pelos parceiros – onde descobrirão a importância do trabalho em equipe, negociação, saber ouvir, autodesenvolvimento e motivação.

Na penúltima etapa, trabalham a devolução dos dividendos aos acionistas, quando apresentarão  a rentabilidade, lucratividade, produtividade e faturamento. O curso tem carga de 53 horas, divididas em 15 encontros semanais de 3,5 horas cada.

“Um dado muito interessante é que dos 100 alunos da rede municipal que já se formaram, a maioria deles já está no mercado de trabalho”, conta a professora Maria Emília Faria Alquezar Serafim, articuladora do programa na rede municipal.
Indústria projeta futuro promissor
Para o segundo vice-diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Erly Syllos, a iniciativa do programa Miniempresa serve como preparação de novos e potenciais empregados para a indústria.

Ele crê que a base e estrutura dada aliada ao conhecimento dos jovens podem trazer benefícios promissores no futuro. “Mesmo que prefiram montar seu próprio negócio, já terão uma experiência das obrigações e responsabilidades em estar à frente de uma empresa”, explica. Apesar de o projeto inovador, Erly garante que ele será cada vez mais constante e presente não só nas escolas como também dentro das próprias indústrias.

Hoje, conforme o diretor do Ciesp, existem núcleos de profissionais, formados dentro da própria empresa, para ensinar e orientar funcionários de diferentes setores, a conhecer um pouco sobre todo o sistema de produção. “Hoje, a maioria das indústrias quer que seu empregado tenha consciência não só do seu papel dentro dela, como também da importância dos outros setores envolvidos até que se chegue o produto final.”

Com relação aos alunos, Erly Syllos garante que uma nova porta do mercado de trabalho será aberta, principalmente com referência aos projetos de incubadora que serão desenvolvidos no futuro Parque Tecnológico. “Com certeza essa mão de obra que se forma ainda nas escolas será especializada e muito bem aproveitada em um futuro próximo, alavancando o desenvolvimento econômico de Sorocaba.”

Fonte: RedeBomDia.com.br

“Bom Dia | Economia” – Publicado em 26/05/2011 às 21h19

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