Em meio a protestos, parlamento grego começa a votar pacote de austeridade econômica

Premiê reiterou que país vai fazer o possível para evitar default. Confrontos deixaram feridos nas ruas da capital, Atenas.

Manifestantes continuam protestando contra o pacote. As ruas ao redor do parlamento foram fechadas pela população. Só com a aprovação do plano a Grécia conseguiria receber mais ajuda financeira internacional.

Do G1, com agências internacionais

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O Parlamento da Grécia começou a votar na tarde desta quarta-feira (29) as polêmicas medidas de austeridade exigidas pelos credores internacionais do país, em meio a novos violentos protestos de rua que deixaram feridos em Atenas.

Pouco antes do início da votação, o premiê George Papandreou reafirmou que o país vai fazer o possível para evitar o default da dívida e o colapso do país “a qualquer custo”.

Antes do início da votação, a polícia da Grécia entrou em conflito com manifestantes que tentavam bloquear o caminho para o Parlamento do país. Os policiais lançaram gás e enfrentaram manifestantes, e houve feridos.

A Grécia correndo o risco de entrar em moratória se o plano de austeridade, que prevê cortes de gastos, aumentos de impostos e privatizações, for barrado.

Veja imagens dos confrontos entre manifestantes e policiais na Grécia

Ferido é socorrido durante confrontos de rua nesta quarta-feira (29) em Atenas (Foto: AP)Ferido é socorrido durante confrontos de rua nesta quarta-feira (29) em Atenas (Foto: AP)

O presidente do banco central grego, George Provopoulos, alertou que a não aprovação seria catastrófica para o país.

‘O Parlamento votar contra este pacote seria um crime; o país estaria votando por seu suicídio’, disse ele ao “Financial Times”.

A sessão começou com atraso de meia hora devido às dificuldades de acesso dos deputados.

O pacote a ser votado inclui corte de gastos no valor de US$ 28 bilhões e prevê aumento de impostos, ajustes e privatizações, quesitos imprescindíveis para o recebimento de mais ajuda internacional no valor de de 12 bilhões de euros.

O partido do governo, o socialista Pasok, conta com 155 cadeiras, quatro mais que o necessário para que as medidas sejam aprovadas, e apenas um integrante da legenda mantém a ideia de votar contra.

O objeto da votação é uma nova série de medidas com as quais o governo grego aspira arrecadar 78 bilhões de euros até 2015 para reduzir seu enorme déficit e tornar sustentável sua dívida, que supera 355 bilhões de euros.

Entenda
A crise financeira da Grécia pode ter profundas implicações para outros países europeus e para a economia mundial.

O pacote de ajuda original foi aprovado há pouco mais de um ano, em maio de 2010. A razão para o resgate é que o país estava tendo dificuldades em obter dinheiro emprestado no mercado para quitar suas dívidas. Por isso recorreu à União Europeia e ao FMI.

A parlamentar comunista Liana Kanelli limpa o rosto após ter sido atingida por iogurte na chegada ao prédio do Parlamento da Grécia em Atenas nesta quarta-feira (29) (Foto: AP)A parlamentar comunista Liana Kanelli limpa o rosto após ter sido atingida por iogurte na chegada ao prédio do Parlamento da Grécia em Atenas nesta quarta-feira (29) (Foto: AP)

A ideia era dar à Grécia tempo para sanear sua economia, o que reduziria os custos para que o país obtivesse dinheiro no mercado.

Mas isso não ocorreu até agora. Pelo contrário: a agência de classificação de risco S&P recentemente deu à Grécia a pior nota de risco do mundo (dentre os países monitorados pela agência).

Assim, o país continua tendo diversas dívidas a serem quitadas, mas não é capaz de obter dinheiro comercialmente para refinanciá-las.

A Grécia gastou bem mais do que podia na última década, pedindo empréstimos pesados e deixando sua economia refém da crescente dívida.

Nesse período, os gastos públicos foram às alturas, e os salários do funcionalismo praticamente dobraram.

Enquanto os cofres públicos eram esvaziados pelos gastos, a receita era afetada pela evasão de impostos – deixando o país totalmente vulnerável quando o mundo foi afetado pela crise de crédito de 2008.

O montante da dívida deixou investidores relutantes em emprestar mais dinheiro ao país. Hoje, eles exigem juros bem mais altos para novos empréstimos que refinanciem sua dívida.

Fonte: G1.com

“G1 Economia” – Publicado em 29/06/2011 às 09h42

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