Empresas assumem qualificação para gerar mão de obra em Araraquara-SP

Sobram vagas em todas as áreas, mas faltam trabalhadores especializados

Por Richard Selestrino

 

O estudante Mateus Henrique durante estágio no setor de recursos humanos em empresa da cidade: oportunidade pode garantir emprego (Foto: Moisés Schini)

O estudante Mateus Henrique durante estágio no setor de recursos humanos em empresa da cidade: oportunidade pode garantir emprego

A crise gerada pela falta de profissionais qualificados no mercado tem obrigado empresas a assumir a qualificação de seus profissionais.

A Big Dutchman, especializada em comedouros para aves e suínos, que investiu mais de R$ 30 milhões para instalar sua matriz brasileira em Araraquara, treinou, por conta própria, parte dos cem novos contratados na filial da empresa localizada em Caxias do Sul, no Estado do Rio Grande do Sul.

A Usina Fortaleza, especializada na produção de argamassas e revestimentos, também conduz um projeto, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), para treinar trabalhadores para a construção civil. “Alguns são aproveitados pela nossa empresa e outros têm o seu contato disponibilizado”, explica Maximiliano Freire, gerente nacional da empresa que na cidade já emprega 80, pessoas.

A MRV Engenharia também tem investido no profissional para enfrentar o déficit de mão de obra. No último mês, custeou a formação de 22 serventes e pedreiros e já está com inscrições abertas para uma nova etapa.

Segundo Luciano Henrique Berto, engenheiro da empresa em Araraquara, a falta de profissionais para atender ao setor é um problema recorrente. “Acreditamos que esta é a melhor forma de contar com profissionais de qualidade”, destaca o engenheiro.

Quadro

Hoje, apenas o setor da construção civil poderia abrigar, em Araraquara, ao menos mil novos trabalhadores qualificados, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. O programa Emprega São Paulo oferece outros 400 postos de trabalho com exigência de qualificação mínima, metade dela sem comprovação de experiência e, na indústria, centenas de vagas de emprego deixam de ser preenchidas todos os dias.

‘Chance de ouro’

A oferta de vagas e de qualificação pelas empresas da cidade tem feito muitos estudantes que já estavam no mercado de trabalho arriscarem a troca de um emprego por um estágio em busca de qualificação.

A universitária Mayara Dias, de 21 anos, que cursa Administração, é uma dessas pessoas. Ela trocou um emprego estável por um estágio e, dois meses depois, já estava efetivada por uma empresa de engenharia elétrica. “Esse é meu primeiro degrau para chegar onde eu quero”, destaca.

Cursando Administração Pública, Mateus Henrique dos Santos, 20, também conseguiu um estágio no setor de recursos humanos de uma fábrica de utensílios de alumínio. Ele encara a oportunidade como uma forma de pôr em prática a teoria aprendida na faculdade. “Como estou na área de recursos humanos aqui na empresa, estou aprendendo muito sobre regras trabalhistas e a relação entre empregador e empregado”, diz.

‘Há muita gente para empregar’

Segundo Carlos Aiello, gerente regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), faltam especialistas em todos os setores: desde funções técnicas até em graduação, como engenharia. “Há de empresas que poderiam dobrar suas operações se tivessem profissionais qualificados. A indústria também sofre com isso”, frisa.

Os especialistas em treinamento Luiz Gustavo Coppola, superintendente estadual do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), e José Antônio Espelho, agente de Treinamento do Senai, entendem a realidade levantada por Aiello, mas descartam a hipótese de “apagão”. “Há muita gente para empregar. O que falta é qualificar”, avalia Coppola.

Para Espelho, a maior parte dos que procuram qualificação já está inserida no mercado de trabalho. “Formamos dezenas de operadores em empilhadeira, mas ainda há falta porque parte dessas pessoas já tem emprego e tem medo de mudar”, diz. O programa oferta 30 vagas ao menos há três semanas, sem sucesso.

Qualifique-se

Na cidade, o Via Rápido tem 216 vagas em cursos de assistente administrativo em transporte, encanador, mecânica básica, operador de empilhadeira e soldador. A capacitação dura até três meses. Quem participa recebe o material didático, auxílio-transporte de R$ 120 e bolsa de R$ 210 a R$ 330, caso esteja desempregado. A inscrição deve ser feita pelo site www.viarapida.sp.gov.br.

O Governo Federal vai oferecer cem mil vagas para brasileiros que queiram se especializar em nível médio e doutorado no exterior.

Fonte: Araraquara.com

“Notícias | Economia” – Publicado em 31/07/2011 às 03h00

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