180 mil paulistanos saem da cidade para trabalhar

O equivalente à população de Araçatuba-SP vai e vem todo dia de São Paulo para municípios vizinhos, como os do ABC e Guarulhos

Rodrigo Burgarelli e José Roberto de Toledo – O Estado de S. Paulo

São Paulo é a maior “cidade-dormitório” do País. Todos os dias, 180 mil paulistanos atravessam os limites do Município para trabalhar em fábricas de automóveis no ABC paulista ou no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, entre outros destinos. Os trabalhadores intermunicipais se concentram em distritos fronteiriços, como Sacomã, Jaguaré ou Itaim Paulista.

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Os dados fazem parte de estudo do Ibope em parceria com o Estadão Dados, com base nos questionários detalhados do Censo 2010. O levantamento integra série 96xSP, que traz reportagens sobre temas como migração e deslocamento nos 96 distritos da capital.

Se São Paulo é um dormitório, também é o maior polo de atração de trabalhadores do Brasil. Estima-se que entrem diariamente na capital paulista de 3 a 4 vezes mais pessoas para trabalhar do que paulistanos que saem com o mesmo propósito.

O equivalente à população de uma cidade como Araçatuba, no interior, vai e vem todo dia de São Paulo para as cidades vizinhas. O número é 2,5 vezes maior do que o de cariocas que saem do Rio para trabalhar nos municípios próximos.

O gerente de projetos Alexandre Severini, de 38 anos, é um desses paulistanos. Ele se considera “privilegiado” por morar na Saúde, zona sul da capital, e trabalhar em uma empresa de autopeças em São Caetano do Sul. “Todo dia vou e volto no contrafluxo. Não demoro nem meia hora”, conta.

O entusiasmo, porém, não seria tão grande se ele não fosse de carro. De transporte público, ele calcula que demoraria mais de uma hora, dividida entre dois ônibus, trem e metrô. “Minha mulher, que é urbanista, já me aconselhou a largar o carro. Mas não há metrô fora de São Paulo, é difícil”, afirma.

Marcos Bicalho, assessor técnico da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), diz que, na verdade, a facilidade de se deslocar no contrafluxo não é algo favorável. “Mostra que você tem uma infraestrutura cara que está ociosa, pois só é usada em um sentido por vez.” Por isso, segundo ele, a ANTP defende a tese chamada de “não transporte”. “A melhor solução para uma cidade é aproximar a moradia das pessoas dos locais onde elas trabalham”, explica.

Conexões. Alguns distritos têm número relevante de pessoas que ultrapassam as fronteiras pela proximidade geográfica com outros municípios. É o caso do líder no número de pessoas que trabalham fora, o Sacomã. A maior parte vai para cidades como São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

Outros fluxos intensos de deslocamento pendular são Sapompeba-Santo André, Jaguaré-Osasco e Vila Prudente-São Caetano do Sul. No centro expandido, destacam-se os bairros de Vila Mariana, Perdizes e Itaim Bibi – 7,5 mil moradores desses distritos trabalham em cidades como Santana de Parnaíba e Guarulhos.

Fonte: Estadao.com.br

“Estado de S. Paulo | Notícias” – Publicado em 08 de junho de 2013 às 17h 26

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