Metroviários de São Paulo reagem a programa de demissões e anunciam mobilização

Proposta de secretário estadual de demitir para manter tarifa a R$ 3 é vista como ‘inversão total de valores’ por sindicalistas, que denunciam mercantilização do Metrô

Tadeu Breda,

da Rede Brasil Atual

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo reagiu com indignação às declarações do secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, que anunciou na segunda-feira (7) na capital que o Metrô dará início a um programa de demissões voluntárias (PDV) e antecipação de aposentadorias de funcionários mais antigos. O corte de pessoal na empresa pública que administra o sistema foi a solução encontrada pela gestão tucana para reduzir custos e manter a tarifa em R$ 3, conforme exigiram os paulistanos durante as manifestações de junho. Dirigentes prometem se mobilizar contra a medida.

“É um ataque à categoria e a toda população”, resumiu o secretário-geral dos sindicato de São Paulo e presidente da Federação Nacional dos Metroviários (Fenametro), Paulo Pasin. “A redução da tarifa e a tarifa zero são pleitos extremamente justos da sociedade. O transporte público é subsidiado na maioria dos países, para que se torne assim acessível a todos os cidadãos, porque é um direito. Em São Paulo, o Metrô já foi subsidiado em 40%, mas, com a chegada do PSDB ao governo, retiraram o benefício. Isso faz com que a população pague um preço alto pela tarifa: R$ 3 é caro para o mundo inteiro.”

Pasin lembra que estimular funcionários mais experientes para que deixem a companhia vai prejudicar os usuários, pois a medida incidirá diretamente na qualidade do serviço. “A saída de pessoas mais experientes inviabiliza a transmissão de conhecimento aos trabalhadores mais jovens”, argumenta, lembrando que a operação do sistema metroviário é complexo e que, por isso, a capacidade dos funcionários só melhora com o tempo. “O Metrô de São Paulo é reconhecido pela competência de seus trabalhadores. É essa capacidade técnica que nos levou a exportar nosso conhecimento para os metrôs de Caracas, na Venezuela, e de Brasília.”

Para o sindicalista, as intenções do PSDB são ainda “mais absurdas” porque, na realidade, quem está segurando em R$ 3 o preço das tarifas do transporte público é a própria classe trabalhadora – e não as empresas, sejam públicas ou privadas. “A manutenção do preço da passagem em R$ 3 foi sustentada pela redução do PIS/Cofins anunciada pelo governo federal em junho, pela mudança na fórmula de cálculo da contribuição patronal ao INSS e pela redução no valor da energia elétrica”, enumera Pasin, lembrando das desonerações anunciadas pela presidenta Dilma Rousseff antes, durante e após as jornadas de junho. “Não subiu a tarifa, mas houve redução de custos.”

Essa, aliás, foi uma das maiores críticas do Movimento Passe Livre (MPL) à maneira como reagiram os governos municipais, estaduais e federal à onda de protestos que balançou o país há três meses. “Abrir mão de tributos significa perder o poder sobre o dinheiro público, liberando verbas às cegas para as máfias dos transportes, sem qualquer transparência e controle”, disseram, em carta aberta à presidenta, publicada em 24 de junho. “Para atender às demandas populares pelo transporte, é necessário construir instrumentos que coloquem no centro da decisão quem realmente deve ter suas necessidades atendidas: os usuários e trabalhadores do sistema.”

O secretário-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo se diz ainda mais indignado com os anúncios porque, enquanto se recusa a subsidiar a companhia estatal, o governo tucano não vê problemas em injetar recursos públicos na Linha 4-Amarela, totalmente privatizada. “Lá, o preço da tarifa é garantido por contrato. A passagem é reajustada todo mês de fevereiro, não importando se houve congelamento ou não”, informa Pasin. “O valor da tarifa da Linha 4-Amarela é R$ 3,13. Existe um cálculo que envolve a transferência de passageiros que vêm da linha estatal. Há ainda um termo de mitigação da demanda: se há menos passageiros do que o previsto no contrato, o estado banca essa diferença.”

Para o sindicalista, trata-se de uma inversão total de valores. “Desde que os tucanos estão no poder, o Metrô passou a ser tratado como uma mercadoria para dar lucro à iniciativa privada: aos cartéis de fornecedores e aos grandes consórcios que administram linhas privatizadas. Todo modelo de gestão é baseado nisso”, denuncia. “Numa relação promíscua com o estado, você potencializa o lucro dessas empresas e desvaloriza a marca estatal do Metrô para facilitar a privatização. A população não é consultada para nada. Nem os funcionários.”

Finalmente, Pasin se diz ultrajado pelo fato de o secretário dos Transportes Metropolitanos ter anunciado PDV e antecipação de aposentadorias sem nem mesmo consultar os metroviários. “Já tínhamos ouvido boato aqui dentro sobre demissões”, lamenta. “Agora, começaremos a mobilizar a categoria e a opinião pública para denunciar essa realidade. As jornadas de junho foram marcadas pelo tema da mobilidade urbana, não apenas pelo preço da tarifa, mas também pelo sufoco que a população enfrenta todo dia. A obrigação dos governantes é melhorar o serviço, aumentar a malha, reduzir o intervalo entre os trens e ampliar a integração – e não chantagear a população.”

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Fonte: BrasilDeFato.com.br
“Brasil de Fato” – Publicado em 08/10/2013 às 21h24
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